Digger tinha 53% de aprovação em 341 críticas no Rotten Tomatoes em 31 de outubro de 2026. A sátira do diretor Alejandro González Iñárritu divide os avaliadores entre a admiração pela ambição e a irritação com seus excessos. A atuação de Tom Cruise e a elaboração visual recebem elogios até de críticos que rejeitam o resultado, como Olly Richards, da Empire.
O AdoroCinema registra a estreia brasileira em 1º de outubro, com distribuição da Warner Bros. Na apresentação do Screen Rant, o filme acompanha Digger Rockwell, magnata interpretado por Cruise que precisa enfrentar uma catástrofe ambiental provocada por seus negócios. Ele tenta convencer aliados poderosos, incluindo o presidente Compson, vivido por John Goodman, enquanto o cientista Ganesh, de Riz Ahmed, alerta para o desastre.
O que os críticos elogiam em Tom Cruise?
A transformação de Cruise entre caricatura e contenção é um dos destaques para Aline Pereira, do AdoroCinema, que deu 4,5 de 5 ao filme, em consulta de 31 de outubro. Ela ressalta como o ator encontra caminhos diferentes sob as próteses corporais e faciais e considera a interpretação uma possível marca de sua carreira. Também elogia a estranheza cuidadosamente organizada do elenco.

Olly Richards, na Empire, vê uma vitória do protagonista mesmo sem aprovar o conjunto. Para ele, o tamanho absurdo do papel exige uma entrega sem medo, que Cruise oferece. O crítico também valoriza a grandiosidade alcançada pela fotografia de Emmanuel Lubezki e pelo desenho de produção de Dennis Gassner, embora não veja a mesma eficácia na narrativa.
Nicholas Barber, da BBC, deu quatro de cinco estrelas em 29 de setembro. “Pessoalmente, eu adorei”, escreveu, em tradução livre. Ele se diverte com a escala da atuação de Cruise, a convicção da mensagem ambiental e o estilo agitado do diretor. Sua adesão inclui uma ressalva: depois de cerca de 90 minutos, os close-ups de Goodman gritando começam a cansá-lo.
Por que a sátira e a virada dividem opiniões?
A mudança de perspectiva perto do fim do primeiro ato fortalece a comédia para Brandon Zachary, do Screen Rant. Na avaliação dele, a revelação justifica o comportamento exagerado dos personagens e abre espaço para novas camadas nas atuações. O crítico considera que o elenco comprometido, os cenários e o roteiro conseguem sustentar as muitas ideias em circulação.
Seb Jenkins, do Film Focus Online, identifica o efeito contrário: a virada rompe sua imersão e impede que recupere o investimento na história e nos personagens. Ele considera que o filme expõe quase tudo o que tem a dizer sobre clima, petróleo e responsabilidade em aproximadamente meia hora, sem aprofundar suficientemente esses temas depois.
Ian Sandwell, do Digital Spy, encontra boas piadas no primeiro ato, incluindo uma situação de humor físico com uma pá. Ele considera a revelação muito bem executada, mas pouco produtiva depois do impacto inicial. Para o crítico, falta ao roteiro a profundidade ou a precisão necessárias para tornar essa mudança indispensável; ainda assim, a trilha do compositor Cosmo Sheldrake alterna força e brincadeira de maneira apropriada.
Bill Bria, do /Film, ocupa um espaço intermediário: deu 7 de 10 em 29 de setembro e identifica o humor apenas intermitente como uma fraqueza central. Ao mesmo tempo, considera que a paixão da sátira lhe dá força e que a reflexão sobre arte, artistas e resistência ao poder produz uma experiência mais intelectual que emocional, mas capaz de comovê-lo.

A crítica do Dawn entende a teatralidade como parte do argumento, não apenas como excesso. Para o jornal, a mudança por volta dos 30 minutos dá sentido ao exagero e torna o drama mais palpável. Sua leitura enfatiza a seriedade que permanece sob a comédia e a capacidade de Cruise de alternar fragilidade e obsessão por dinheiro.
Onde estão as maiores ressalvas ao elenco?
A pouca vida interior dos personagens incomoda Richards, na Empire, que vê o elenco de apoio preso a uma nota só, com exceção do cientista de Ahmed. Ele também critica os longos monólogos que, em sua avaliação, repreendem o espectador em vez de explorar pessoas de verdade.
Jenkins, no Film Focus Online, elogia Cruise, Goodman e Ahmed, mas considera desperdiçados Jesse Plemons e Sandra Hüller, integrantes do elenco. A assistente do magnata, interpretada por Emma D’Arcy, também lhe parece um papel sem vida. Já Pereira, no AdoroCinema, destaca o presidente histérico de Goodman e o contraponto racional de Ahmed como peças eficazes da estranheza coletiva.

O público concorda com a crítica?
O público verificado do Rotten Tomatoes era mais favorável: 77% de aprovação, com mais de mil avaliações verificadas, em 31 de outubro. O mesmo site registrava US$ 17,2 milhões de bilheteria nos Estados Unidos.
O ator Ben Affleck contestou a comemoração do fracasso comercial em entrevista ao podcast Happy Sad Confused, repercutida pela Rolling Stone Brasil em 19 de outubro. Para ele, punir tentativas ambiciosas desencoraja riscos criativos. “É um filme bastante ambicioso e interessante, feito por pessoas talentosas”, afirmou.
Para quem essa experiência funciona, segundo os críticos?
No AdoroCinema, Pereira valoriza o desconforto e a surpresa de uma narrativa cuja divulgação escondeu suas intenções; no /Film, Bria aprecia uma obra difícil de amar, mas estimulante em sua defesa da arte. Sandwell, no Digital Spy, encontra interesse nos cenários e em Cruise.
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