Sobrevivência (Animals) tinha 30% de aprovação em 81 críticas no Rotten Tomatoes em 31 de outubro de 2026. A principal resistência ao suspense dirigido e estrelado por Ben Affleck está no roteiro: avaliações do Omelete, RogerEbert.com e Collider apontam conflitos políticos e familiares que não alcançam o desenvolvimento e a complexidade moral esperados.

Disponível na Netflix no Brasil, o filme acompanha Mark Kimball, candidato à prefeitura de Los Angeles interpretado por Affleck. O sequestro do filho obriga Mark e a esposa, Abigail, vivida por Kerry Washington, a buscar dinheiro para o resgate enquanto a campanha eleitoral corre perigo.

Por que o roteiro concentra as críticas?

Para Caio Coletti, do Omelete, o filme perde força perto da primeira hora, quando hesita diante das consequências dos atos dos personagens. O crítico escreve que Affleck “recorre às meias medidas onde se sente mais confortável”. Sua objeção é à recusa de assumir tanto a feiúra moral dessas figuras quanto uma defesa provocativa do pragmatismo delas.

Brian Tallerico, do RogerEbert.com, também cobra maior risco moral, mas estende a reprovação à construção dos personagens. Para ele, o roteiro não torna Mark verdadeiramente complexo quando suas convicções progressistas são testadas. Abigail recebe pouca vida além de um conflito conjugal, e o excesso de exposição deixa a história previsível até para quem acompanha o filme sem muita atenção.

Robert Brian Taylor, do Collider, dá 4/10 ao longa, em crítica consultada em 31 de outubro, e critica a disputa entre o suspense e o drama político. Na avaliação dele, as escolhas entre família e campanha não produzem os golpes que o argumento anuncia. A negociadora Dayle, interpretada por Gillian Anderson, lhe parece saída de uma obra mais sombria e exagerada, incompatível com a sobriedade pretendida ao redor.

No Plano Crítico, Felipe Oliveira identifica um problema específico de desenvolvimento: um segredo de Abigail sugere um arco próprio para a personagem, mas não ganha função satisfatória na história. O crítico reconhece a busca por diálogos maduros, porém considera o resultado burocrático. Para Oliveira, as subtramas se sobrepõem sem encontrar espaço para desenvolver suas possibilidades.

A direção consegue criar tensão?

Vitor Polessi, do Cine Set, considera que as tomadas aéreas usadas para mostrar a cidade interrompem a tensão. Ele destaca uma exceção concreta: a montagem paralela entre uma apresentação de sapateado e uma perseguição, ligadas pelo som dos passos. É o momento que o crítico aponta como capaz de gerar apreensão em uma condução que, no restante, julga insípida.

Oliveira, no Plano Crítico, concentra a análise na ligação que comunica o sequestro. A combinação de uma espécie de plano-sequência, movimentos panorâmicos, enquadramentos fechados e edição acelerada não transmite, para ele, a urgência necessária. Sua crítica à encenação envolve também a dificuldade de criar empatia pelo casal diante de uma situação que deveria provocar desespero.

Homem de paletó fala ao telefone em um corredor de pouca luz.

Jesse Hassenger, do Guardian, encontra outro obstáculo no confinamento da narrativa à propriedade dos protagonistas, com discussões que giram em círculos. Ele ainda acha Affleck interessante como um político empenhado em parecer acessível, mas descreve a imagem do filme como polida e sem textura.

Quem viu qualidades no suspense?

Coletti, no Omelete, elogia a primeira parte pela construção das relações de Mark com a esposa, o filho e as forças eleitorais que podem ajudá-lo ou prejudicá-lo. A familiaridade de Affleck com o suspense urbano favorece, para o crítico, o tratamento de privilégios e marginalização. Sua avaliação positiva desse início inclui as culpas e dúvidas presentes na vida familiar do candidato.

Homem de camisa branca e gravata sentado atrás de uma mesa diante de grandes janelas.

John Nugent, da Empire, adota uma posição intermediária, com 3/5 em crítica consultada em 31 de outubro. Ele considera Affleck convincente como político e vê autenticidade no pânico inicial do casal. Também encontra questões sociais e raciais interessantes no roteiro. Sua ressalva está nos clichês baratos e na solução artificial do clímax, que fazem o filme parecer mais descartável que os trabalhos anteriores do diretor.

Terry Staunton, da Radio Times, oferece a divergência mais favorável desta seleção. Ele vê na reviravolta uma ampliação dos dilemas sobre raça, poder, lealdade e vulnerabilidade, elogia a perda de controle de Affleck e a sutileza de Washington. Anderson, para ele, torna Dayle uma presença gelada entre heroísmo e ameaça. Sua reserva é que o terço final corre o risco de ficar frenético demais.

O público concorda com os críticos?

As avaliações dos usuários também pendem para a desaprovação: o Rotten Tomatoes registrava 36% no Popcornmeter, com mais de 500 avaliações gerais, em 31 de outubro. O resumo das opiniões do público destaca Washington como um dos atrativos, mas atribui à escrita fraca o potencial desperdiçado.

Segundo o Omelete, Sobrevivência foi o título mais visto da Netflix globalmente entre 19 e 25 de outubro, com 10,7 milhões de visualizações. Na mesma semana, o ranking oficial brasileiro da Netflix colocou o filme em segundo, atrás de Contra o Furacão, na sua terceira semana no Top 10.

Cinco pessoas diante de um edifício durante um pronunciamento, com um homem ao centro atrás do púlpito.

No Metacritic, a nota era 33/100 em 21 críticas, consultadas em 31 de outubro: duas positivas, 12 mistas e sete negativas.

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